segunda-feira, 20 de junho de 2011

Incomensuraveis Empáticos.

       Uma música alta faz despertar do sono a
       enfastiada Roberta.
       A música tem nome de mulher e fala sobre uma
       garota decepcionada,
       que sangra com uma ferida aberta.
       Seu dia começa assim.Essa música a desperta,não por
       acaso,mas porque é seu toque do celular.
       A janela encoberta pelas persianas,impede a luz do Sol adentrar.
       Levantar,caminhar sonâmbola até o banheiro,
       essa tarefa poderia prolongar -se ao dia inteiro.
       Dentes escovados,aroma de menta na boca,pronta para a primeira refeição.
       Suco,cereais,manteiga e pão.
       Reforçada,pronta,arrumada,agora é só ir para o ponto de ônibus e aguadar
       o número determinado passar.

       O ginásio não é como o primário.
       As preocupações não são mais escolher qual brincadeira mataria o tempo até
       o sinal tocar,nada disso,agora a preocupação é a maquiagem retocar,sem exagerar,
       para que não percebam que está maquiada,ou melhor que se preocupa em maquiar.
       Porém,não se pode deixar que percebam as imperfeições,
       a menina Roberta deseja apenas
       esconder as brechas que a genética julgou banais,
       para fazer dessa moça uma escultura comparável as dos gregos,de muitos anos atrás.

        Felipe já estava quando Roberta chegou,um caloroso abraço dela,ele ganhou.
        Chega na escola cedo para comprimentar a todos e mostrar que conhecia muita gente,
        demonstrar popularidade,
        é coisa da idade.
        Carinhos e beijos são trocados, não chegam a amassos.Não fariam sentido.
        Empatia...incumensuráveis empáticos.
        Amizade de homem e mulher não chega a níveis de emplastros.
        Conhecerem-se pelas entrevindas do acaso,para quem nele acredita.Para uma Roberta apaixonada,
        acaso é substituído por  astrologia.
        O segundo Sol,vindouro em Vênus tendo ascendência,faz nela florecer o amor de adolescência.
       
        O garoto gosta da garota,e o frasista diz que para a amizade ser duradoura,a de se existir
        aversão física da parte de ambos,
        ou de uma,ou de outra.
        Homem e mulher podem ser amigos,Felipe é convícto.Quantas amizades ele construiu com meninas que  
        o despertavam a masculinidade,e ao fim de contas,não passaram de sinceras amizades?
        Mas Roberta ama Felipe,amor de paixão.A amizade é angustiante.Ela teme a tudo estragar pelo fato de
        saber
        que o sentimento dele não é o mesmo.
        O seu coração imaturo vive a sorte do lampejo!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Peleja Familiar.

Certa vez,defrontei-me com duas meninas problemáticas: a Tristeza e a Felicidade.
Elas eram irmãs,mas não conseguiam estar juntas,nunca!
A Felicidade costumava dizer:"Minha irmã é amarga,é fria e cruel,não a suporto!"
E a Tristeza por sua vez:"Espero ela sair,pois sei que ela nunca fica por muito tempo.O dispersar dela
é a antífona que me precede."
A Felicidade era uma garotinha pura,doce,as vezes tímida,as vezes extravagante.Mas uma coisa
havia de estável nela:ela era simples!Poucas pessoas conseguiam enxergar essa sua particularidade.A Felicidade é
uma jovem de hábitos simples,está sempre nos momentos mais corriqueiros.Está em um amanhecer ou
em um anoitecer.Aparece quando o sabor é bom,o perfume traz lembranças,numa chuva que cai,numa tarde tranquila.E
principalmente anda acompanhada de pessoas que lhe querem bem e a trazem com sua prensença.Assim se define esta moça.
Já a Tristeza,essa possuia características tão marcantes quanto as de sua irmã.Embora opostas.Tristeza,que garota!Há quem goste
de tuas peraltices!Vamos a ela:esta costuma andar acompanhada de seus primos e primas.São eles,a Solidão,a Dor,o Rancor,o Pessimismo,
a Vingança e uma horda de outros parentes,tão sórdidos quanto a própria por si só.A Tristeza adora o salgado gosto das lágrimas,o gelado frio do
inverno.Se ela não traz os seus semelhantes,fica ali,travada,Imóvel e solitária.Esperando a Felicidade esvair-se.
Então,por inveja da popularidade de sua irmã,a Tristeza tramou contra a Felicidade! Seu plano era este:unir-se a seus primos,crescer e se tornar
tão forte,tão intensa que liquidaria a Felicidade por completo.Foi o que sucedeu.Felicidade enfraqueceu.Cambaleava.Sentia-se pesada e começa
a entrar em crise existencial.Pensou que o ela própria era uma mera ilusão,que não deveria existir de fato.
Entretanto,eis que esta crise familiar põe-se perto do fim.O pai de todos os sentimentos resolve intervir,em auxílio da Felicidade,filha pela qual ele nutre
predileção.E o pai de todos os sentimentos é o Amor.Todos o conhecem.Mesmo que não percebam,mesmo que duvidem de sua veracidade.Todos o recebem,
o partilham e o vivem.
Com o intuito de manter o equílibrio de sua prole,o Amor,firme e sincero,ergue a Felicidade.Implementa sua doutrina para todos outros sentimentos e eles se colocam em
seus devidos lugares.Para suas filhas que lhes dá maior trabalho,ele esclarece:"Vocês hão de coexistir,pois uma depende da outra.Vocês estão ligadas implícitamente.Imaginem vocês,que sentido teria em descansar se não ficássemos euxaridos?O que seria do doce se não existisse o amargo?"
Enfim,creio que estas irmãs rebeldes entederam o que lhes dizia seu pai.Assim como eu.Deixei-as e parti.