quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Composição de Domingo



                              Existem dias em que eu gostaria de não ter levantado da cama.Hoje é um desses dias.Domingo,um dia em que eu poderia passar tranquilamente
hibernando como um urso.Mas tenho trabalho a fazer.Sou músico,fui contratado para tocar em um evento nesta tarde.
                               Já passa de meio-dia e eu acabei de me levantar.Minha cabeça lateja como se meu crânio tivesse sido usado como badalo de um sino,mas não chegou
a tanto.Noite passada eu estava tocando meu violão em um palco de um pequeno bar quando uma briga começou.Assim que meus pés tocaram o chão na esperança de
encontrar o dono do bar e pegar meu pagamento,recebi uma garrafada na testa.Acordei com os bolsos limpos dez minutos depois;ao menos não levaram meus documentos.
Não recebi meu pagamento e me furtaram o pouco que trazia na carteira,ganhei um leve corte na testa e uma boa dor de cabeça.Mas uma coisa nova havia acontecido,meu dia
começou a ficar uma merda já de madrugada,que lindo,acho que vou compor uma música enquanto dirijo.
                               A minha vida começou a rumar para onde estou agora quando larguei a faculdade e me integrei a uma banda de rock.A banda não vingou,nenhuma gravadora gostou
do nosso som,éramos grunges em plena era colorida.Não havia espaço para nós no cenário musical contemporâneo.Devia ter me formado em letras mesmo.Agora me mato todos os dias
para sustentar meu aluguel.Mas essas coisas acontecem,a vida tem dessas coisas.
                               Chego no lugar onde irei tocar,não faço idéia de quem me contratou ou de como conseguiu meu contato,deve ter me visto tocar em algum bar pela cidade.É uma boate,está fechada
mas me mandaram vir essa hora.Estacionei,o pensamento de que caí numa espécie de pegadinha era constante em minha mente.Alguém acordou hoje e pensou em mandar um idiota vir a um endereço
qualquer,para ele perder seu tempo.Era o que parecia,se tratando da minha pessoa,era até normal."Que fase".Diriam as pessoas cheias de auto-estima,mas pra mim não,era mais que uma fase,já durava
dois anos.
                                Meu pensamento mudou quando veio ao portão um sujeito com pinta de capanga e realmente era,como fui descobrir mais tarde.Ele perguntou se eu era o cantor e me mandou entrar.
                                Lá dentro as cadeiras todas cobertas e o lugar vazio,continuei sem entender em que tipo de sacanagem estava me metendo.Até que o sujeito abriu uma porta escondida na parede dos
fundos.Ali estavam as pessoas mais bem vestidas que eu ja vi ao vivo,mulheres e homens,todos com roupas de luxo,só tinha visto isso antes em filmes que se passam em Las Vegas.Estavam ali,alguns
rostos conhecidos,uns deputados que vi na campanha eleitoral  na tv,o dono de uma rede de supermercados e um rosto que eu ja tinha visto nas páginas de um jornal,o contraventor procurado por envolvimentos com
máquinas de jogos de azar,Ricardo Rodrigues.
                                 O capanga me levou até Ricardo e eu logo soube onde estava e quem havia me contratado.Ali iria acontecer uma luta clandestina e eu fui contratado para tocar canções do Nirvana,a banda favorita da filha de Ricardo,
a jovem Anita.            
                                  Eu estava entre a corja de mafiosos mais suja da cidade.Entre politcos,traficantes e sabe-se lá o que mais.Mas não estava surpreso,estaria se fosse convidado para tocar no batizado de uma criança inocente.
                                  Ricardo me informou a programação do evento.Eu entraria no palco para tocar e a filha dele cantar.Foi o que aconteceu,tudo normal.Ja estavamos tocando por uns 40 minutos,as pessoas ali estavam completamente alheias
as canções,estavam mais preocupados com seus jogos.Cada mesa tinha uma roleta ou cartas de baralho.Era de se esperar que aquele tipo de gente não gostasse mesmo de Nirvana.A apresentação acabou,agora começaria a luta.Não quis ficar
pra ver.A tarde caía e eu temia ficar mais tempo ali,vai que chega policia,sei lá,quem sabe tem um policial infiltrado ali,nah,isso é coisa de filme.
                                  Recebi uma generosa remuneração.Fiquei com a impressão de estar recebendo dinheiro sujo,algo que sempre me neguei a fazer.Mas eu só fiz meu trabalho,sou um promissor cantor decadente,nada mais que isso.
                                  Saí pelos fundos,numa porta que dava para um beco.Ali parei congelado.A mais bela flor do jardim dos meus sonhos corria em minha direção,fui poético ao descreve-la,afinal de contas sou um músico,respiro poesia.
O rosto dela era o mais inocente que uma mulher adulta poderia ter.Era como uma doce criança no corpo de uma mulher.Se anjos andassem pela Terra não teria dúvida de que estava diante de um.Ela pegou numa de minhas mãos e disse:

                                                "-Por favor me ajude!"

                                                "-Claro!"não pensei duas vezes.

                                   Se eu tivese visto que logo atrás dela vinha um homem que mais parecia um gorila,minha resposta talvez fosse diferente.Mas nem tive tempo de pensar,tirei ela da direção e quando o homem enfurecido armou um soco,quebrei com
prazer o meu violão na cabeça dele.O cara era durão,ficou meio tonto mas não apagou,só que bastaram três chutes na cabeça,para desligar o cérebro dele.A mulher olhou para mim e soltou entre os lábios:

                                                "-Acho que você o matou."

                                                "-De nada."respondi ironicamente e prossegui:

                                                "-Você conhece esse homem?Por que ele a seguia tão enfurecido?"

                                                "-Não conhecia muito.E essa é uma longa história.Mas obrigada."

                                                "-Você poderia me agradecer melhor se me deixasse pagar-lhe um bebida talvez...Vou gastar grana comprando outro violão mas recebi bem esta tarde."

                                                "-Hum vejo que você é um artista,eu também sou.Mas não sei cantar nem dançar..."

                                                "-Então é atriz?"

                                                "-Também não,mas quanto ao agradecimento,posso passar na sua casa agora,melhor que gastar seu dinheiro."

                                                "-Gostei da idéia,vamos."

                                   Juro que não maldei a sugestão dela,ela tinha um jeito tão meigo e puro.Depois do dia que eu tive,só queria alguém para conversar e esvaziar minha mente.
Só que na verdade o puro e inocente fui eu.Se quem inventou a frase"uma dama na rua e uma vadia na cama" estivesse pensando nela,não teria sido tão cabível.
O rosto inocente e o jeito meigo desaparceram,aquele mulher me jogou no meu sofá e me faz gastar as mais bem gastas energias de toda a minha vida.Foi incrível.Depois de horas
caimos um para cada lado,esgotados.Parecia que minha sorte tinha mudado de uma hora para outra.Só parecia.Eu caí no sono por alguns minutos e quando acordei,ela ja tinha partido.Conferi minha carteira
e lá estava todo meu dinheiro.Sorri,minha sorte tinha melhorado,por apenas uma tarde,mas tinha melhorado.
                                    Levantei e fui para o computador,não sabia o nome dela mas queria encontrá-la,ela tinha pinta de atriz mesmo,mas sem o nome era impossivel achá-la.
O que aquele homem queira dela,era apenas um assaltante?Ou ela o conhecia?Não conseguia parar de pensar.Minha sorte podeira mudar se eu tivesse comigo uma figura tão meiga e completa
como ela.Uma mistura perfeita de armonia e caos era aquela dama.Isso,ela era uma dama,que escondia uma fera dentro de si.
                                    Numa atitude pouco inteligente voltei ao endereço naquela noite.E sim lá estava o sujeito que eu apaguei.Ele tinha umas mulheres com ele,eram prostitutas nitidamente.Eu chamei uma
e pude ver que aquele homem era um cafetão.Ele veio junto da mulher,ja me preparava pra sair com o carro mas ele disse:

                                              "-Olha só,você é o herói que salvou Raquel esta tarde."

                                  O homem sabia o nome dela.Uma das moças entrou no banco do carona.Ela me ofereceu seus serviços e eu acelerei.Ela se assustou.Mas eu a tranquilzei.Apenas perguntei se ela conhecia Raquel.
Ela me disse que não sabia muito sobre ela,apenas sabia que ela era nova empregada daquele homem chamado Jonas.Também me contou que Raquel havia roubado 10 mil em dinheiro de Jonas.
Não sei o que me surpreendeu mais,o fato de ela ser uma prostituta ou uma ladra.Estranhamente agora eu queria mais do que antes encotrar aquela mulher,queria conhecer a historia dela.A prostituta me perguntou de
onde eu conhecia Raquel.Lhe respondi com outra pergunta:

                                                "-Tem idéia de como eu poderia encontrá-la?"

                                                 "-Tenho aqui um cartão que caiu da bolsa dela,ontem quando a vi pela última vez.Mas não sei se tem algo a ver com ela."

                                                  "-Deixe-me ver."estacionei o carro numa esquina e comecei a analisar o papel.

                                    No cartão estava escrito:"Antunes,transporte de cargas e mudanças".E tinha um número,era a única pista que tinha não quis ignorar.
                                    A prostituta desceu do meu carro,disse que seu nome era Cláudia e que eu deveria procurar por ela quando estivesse a fim de me divertir.Considerei a orfeta por uns segundos em minha mente,mas voltei logo
a pensar em Raquel.Por que roubar tanta grana de um cara aparentemente tão perigoso?
                                    Peguei meu celular e liguei para o tal Antunes das cargas.Ele atendeu no primeiro toque:

                                               "-Alô?"
                                              
                                               "-Senhor Antunes?"

                                               "-Sou eu,mas não trabalho hoje,é domingo!"

                                                "-Não quero seus serviços senhor,só quero lhe fazer uma pergunta."

                                                "-Que tipo de pergunta?É da polícia rodoviária?!Escute aquilo não era meu,apenas transporto,sou pago pra isso,não cabe a mim verificar o que há na carga...

                                                "-Não,não se preocupe senhor,apenas quero lhe perguntar se conhece Raquel..."

                                                "-Minha filha!Você é o cafetão que está com ela,não é?!Seu miserável!"

                                                "-Pelo contrário senhor,quero ajudá-lo a encontrar sua filha,podemos nos encontrar logo mais?"

                                                "-Mas quem é você?"

                                                "-Apenas um amigo."

                                       Vinte minutos depois nos encontramos em um bar perto da residência de Antunes.Ele me contou todo o decorrer dos fatos detalhadamente até ali:

                                                    "-Eu estava carregando 100 mil reais em produtos receptados do Paraguai.A polícia rodoviária me parou,pediram a nota fiscal dos produtos,eu lhes apresentei a nota.
Porém acharam um pacote com algumas gramas de cocaína no meu porta luvas.Então tive que oferecer mercadorias num somatório de 10 mil reais aos gentís senhores.5 mil para cada um.Malditos exploradores!
O problema é que a carga era para o ilustre senhor Ricardo Rodriguez,não sei se você o conhece."

                                                     "-Sim,estive com ele essa tarde.Coincidência...Homem de negócios,não?"

                                                     "-Exatamente.Aquele sujeito não tolera falhas,foi meu primeiro trabalho para ele.E provavelmente o último.
Quando eu cheguei com 10 mil a menos na carga ele percebeu.E me deu um prazo de 3 dias para repor seu dinheiro ou eu pagaria com a minha própria vida.Minha filha soube desse fato,e sumiu logo depois,temi que
ela tivesse sido raptada pelos homens de Ricardo,mas daí você me apareceu falando sobre Raquel."
                        
                                                      "-Quando foi que isso tudo aconteceu?"

                                                      "-Três dias atrás.Agora vai me dizer se sabe onde está minha filha?"

                                        Eu ia lhe contar tudo o que sabia.Raquel havia se arriscado para salvar-lhe a vida,ela roubou Jonas para pagar a dívida do pai.Porém enquanto conversámos uma BMW parou ali na calçada em frente ao bar,seu Antunes
reconheceu o carro,era de Ricardo Rodriguez.Antunes levantou da mesa puxou uma pistola da cintura e saiu do bar:

                                                      "-Veio tomar a minha vida,não é seu canalha!?"

                                         Ricardo já saiu do carro com uma metralhadora,era noite e havia pouca gente na rua,mas os gritos se misturaram as balas.Antunes atingiu Ricardo que enquanto agonizava atirou contra Antunes e contra seu próprio carro.
Quando os disparos terminaram,eu saí eu fui ver Antunes,estava morto,Ricardou pronunciou com a boca cheia de sangue:

                                                       "-Sua filha me pagou estúpido!Só vim lhe dar uma carona!"Ricardo espirou ali também.Mas suas palavras me fizeram correr até o carro.

                                           Lá dentro encontrei o anjo que me encantou.Apertando sua barriga contra si.Raquel,a filha dedicada estava morrendo.Minha garganta secou e lágrimas saíriam pelos meus olhos se eu não as tivesse contido.Não havia nada que
pudesse fazer.Ela fez um gesto apontando para trás do carro e docemente fechou seus olhos.Olhei para trás e não vi nada diferente,então fui ao porta-malas.Lá dentro encontrei uma mochila.Não tive tempo de abri-lá.A polícia chegava com suas indiscretas sirenes.
                                           Ao chegar em casa abri a mochila,nela estavam malotes de dinheiro em notas de cem.Contei pouco mais de R$ 9,800 reais.
                                           Pode parecer que sou insensível mas a sorte me sorriu.Estava com um dinheiro que não pertencia a ninguém.
                                           A memória de Raquel não seria esquecida.Compuz uma canção.Eternizei a delicada fera em poesia e versos.









segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O Mistério de Bampton-parte 1

                 Essa manhã chegou a notícia de que mais uma menina desapareceu,já são três apenas em uma semana,isso já está aterrorizando
a pequena população agricultora da cidadezinha.
                 O reverendo Curtis mandou me chamar,o reverendo é amigo de meu pai.Eu estava prestando serviço militar na Escócia,aprovetei
o período de descanço que me foi concedido para vir,recebi um tiro no braço esquerdo,por isso consegui licença médica.
                 Não tenho nenhuma experiência em investigações desse tipo,mas o reverendo insistiu ao meu pai para que eu viesse,por algum motivo
ele não queria envolvimento da polícia e fez questão de saber se eu era Catequizado ou ao menos Batizado.
                Hoje 22 de Maio de 1859 chego na pequena cidade de Bampton,é praticamente um vilarejo aqui em Oxfordshire.
                Pessoas humildes,alguns vira-latas na rua,as pessoas realmente parecem assustadas,nenhuma criança brincando por aqui,crianças apenas
as de colo,devidamente agarradas aos ombros dos pais,chego até a capela que fica situada geograficamente no centro da cidade e o reverendo Curtis
vem me receber:

                "-Jovem Baskerville,como você cresceu!" eu não via aquele homem desde que eu tinha 2 anos de idade,estranho seria se eu não tivesse crescido
18 anos depois....

                "-Sim,é verdade reverendo."

                "-Vamos,entre,venha tomar um chá e descansar da viagem."

                 "-Aceito o chá,mas não pretendo perder tempo,vim aqui para uma tarefa e desejo executa-lá."

                 "-Ah,sim mas não se apresse,não queremos meter os pés pelas mãos,não é mesmo?hahahaha..."


               Fomos para pequena residência localizada na latarel do terreno da capela,conversamos um pouco sobre mim,Curtis estava curioso sobre meus talentos,
lhe disse que era o número um em tiro em distância no exército,excelente aluno nas matérias de engenharia química e botânica,havia puchado o temperamento de
meu pai,isso o reverendo pode perceber em nossa conversa,um tanto impulsivo e ancioso em começar a fazer algo que me foi dito a fazer,não pude aguentar por
mais tempo aquela conversa,e me antecipei:


                "-Mas diga,senhor reverendo,algum motivo especial para as autoridades locais não serem acionadas,não há polícia por aqui?Sequestro é coisa séria.
Ninguém se mostrou interessado em achar tais meninas?Três em uma semana,não me parece que elas tenham se perdido no bosque."

               "-Oh,Michael Baskerville,filho de Vito Baskerville,exatamente como o pai,apressado como uma locomotiva,pois bem,vou lhe situar aqui Michael."

                "-Ficaria grato reverendo."
            
                "-Hoje é,segunda feira,exatamente á uma semana atrás,sumiu a primeira garota,Joana,ela foi vista pela ultima vez aqui na capela,no fim de tarde,eu e mais
duas senhoras que estávamos por aqui vimos quando ela entrou,rezou ajoelhada,nos ultimos lugares ao fundo da capela,comprimentou-nos de longe com um aceno,
e foi para casa,não chegou lá até hoje.No dia após o seu sumiço,seus pais,senhor e senhora Thompson,foram até a cabine policial,que conta com dois guardas,que
resumem toda a força policial de nossa cidadela,já que crimes não são comuns por aqui,afinal todos se conhecem na cidade.Os policiais Milles e o tenente Locke,
não demonstraram muito esforço e dedicação,disseram que cedo ou tarde ela apareceria,deveria ter fugido com o namorado,o que irritou o senhor Thompson,pois
sua filha moça não haveria de ter namoros escondidos.Então os Thompson foram ao prefeito Widmore que alegou compromissos importantes e não os antendeu,
daí vieram a mim...

               "-Puxa mas isso é realmente um absurdo,as autoridades locais se omitirem dessa forma."

               "-Pois bem,a cidade não está habituada a lidar com criminalidade,por isso,procurei seu pai,um militar de confiança,cansado e aposentado ele me indicou você,
jovem Michael."

               "-Também não tenho experiência em casos desse porte reverendo,mas me dedicarei ao máximo nisso.Algo mais sobre a senhorita Joana?"

               "-Bom,sobre ela,me parecia agitada,corria lágrimas de seus olhos,mas era normal isso,pessoas que rezam com muita fé costumam se emocionar,vejo isso sempre
aqui na igreja.Mas ela me parecia arrependida de algo,talvez tenha sido só impressão,pois se realmente fosse o caso ela viria se confessar comigo e amenisar suas preocupações."

               "-Hum,ela estava agitada,isso é bastante relevante,Joana Thompson,desaparceu na segunda-feira e as outras duas meninas...? Prossiga por favor."

               "-Bem,na tarde de sexta-feira Elizabeth Carter saiu para comprar pães e não voltou para casa,sua família deu por sua falta na mesma noite,indo até a delegacia,em vão,
novamente os oficias fizeram pouco caso do fato.E nessa manhã,como o senhor ja sabe a senhorita Kate Austen também desapareceu em circunstâncias parecidas,saiu para
comprar frutos na praça central da cidade e não voltou mais."

                "-Realmente a omição e incopetência das autoridades locais é algo vergonhoso.De fato isso favorece o nosso possivel sequestrador,na verdade pra mim está claro que os
desaparecimentos estão de alguma forma ligados e não são aleatórios,provavelmente são obra de um mesmo sequestrador por assim dizer,desconhecemos seus motivos,porém
podem ser os mais sórdidos.Reverendo Curtis,existe algo em comum entre essas moças,alguma particularidade que elas tenham em comum,além de serem moças?"

                "-Que eu saiba,ambas têm exatamente a mesma idade,17 anos ,são donzelas,se é que o senhor me entende,mas creio que isso não seja algo relevante."

                "-Todos os fatos são relevantes,o senhor tem algum suspeito?Talvez algum homem solteiro ou alguem estranho rondando pela cidade?"

                "-Bom,sei que o senhor é batizado e catequizado e temente a Deus,eu tenho um suspeito sim,pra ser exato uma suspeita,a velha bruxa Eloise,que mora na parte mais
afastada do bosque..." nessa hora tive que interromper o velho.

                "-Bruxa?Reverendo,apesar de cristão eu também sou um homem da ciência,feitiços e bruxarias não existem,não espere que eu acuse uma velha,provavelmente fraca
e incapaz de sequestrar jovens saudáveis que não se deixariam capturar por tal senhora."

                "-Jovem Baskerveille o senhor não conhece Eloise,aquela mulher é serva do demônio.Já fez terras deixarem de prosperar apenas ao dizer algumas blasfêmias e maldições
contra o dono do terreno."


               Encerrei minha conversa com o reverendo ali,antes que ele tivesse a idéia de queimar a velha Eloise.Peguei com ele o endereço das famílias das moças,me despedi e me dirigi
até o quarto onde eu ficaria hospedado,no terreno mesmo da capela,próximo a casa do reverendo.
               Eram poucos passos da casa do reverendo até o quarto,mas no caminho até eu encostar na maçaneta da porta,tive a impressão de estar sendo observado,correu um vento gelado
atrás de mim,me virei e vi dois olhos arregalados me fitando,quase cai pra trás,quando a coruja que estava pousada na árvore levantou voô,era só uma simples coruja,tsc,velha bruxa...
faça-me um favor!
                Antes de dormir,o reverendo bateu a minha porta,me convidando para tomar um chá,ele estava recebendo o prefeito Widmore,estranhei o horário,mas o prefeito de fato era um homem
muito atarefado,Curtis me apresentou a Widmore,sentamos a mesa,nos servimos e começamos a conversar sobre a situação:
               O prefeito tomou a palavra:


               "-Pretendemos conduzir essa investigação em sigilo,por nossa conta, eu e meu amigo o Curtis,depois da segunda vítima tive que largar alguns afazeres e me envolver nesse caso.A cidade
está totalmente preocupada e temerosa,sua chegada aqui me deixa mais tranquilo,senhor Baskerville,a nossa força policial é limitada e eu não os culpo por isso,nossa cidade não está acostumada
com violência.Curtis me disse que o senhor viria,um jovem do exército,ja nos deixa mais seguros,pois bem,vim aqui só me apresentar ao senhor,sei que o senhor num tem muita experiência em casos
desse tipo mas todo ponto de vista de alguém de fora é muito válido."

               "-É um prazer conhece-lo prefeito Widmore,receio que meus conhecimentos em investigações se limitem a simples leituras de contos policiais mas espero atender a altura toda a cofiança que os senhores
depositam em mim."


            Fomos surpreendidos por batidas fortes e apressadas na porta,olhamos um para o outro a cara do prefeito era de espanto enquanto ele me perguntava se eu estava armado,respondi positivamente e pedi
que o reverendo abrisse a porta enquanto eu ficaria por trás dele.O assombro daqueles senhores era desnecessário,pois quem estava na porta era o secretário do prefeito Widmore,Perkins,ofegante e contente por
ver que o prefeito estava do meu lado e junto de Curtis.O fiel secretário pensara que o prefeito tinha sido sequestrado também,por que ele havia saído de sua residencia silenciosamente sem avisar.Tranquilos encerramos
o encontro,ofereci compania ao prefeito até sua casa,percebendo que o homem estava alarmado como toda a cidade,mas ele disse que não precisava,enfim fomos dormir.
            Na manhã seguinte pulei da cama  com disposição,estava ancioso para essa nova empreitada,fiz uma relação das datas dos desaparecimentos,para conversar com as famíliase saber melhor as circunstâncias dos
desaparecimentos.Joana Thompson,a primeira vítima,vista pela última vez pelo próprio reverendo Curtis na capela,começarei indo até a casa dos Thompsons.
            Engoli meu café da manhã e apressei o reverendo,montamos cada um em um cavalo e saimos.
            Algo diferente estava acontecendo estavam reúnidas muitas pessoas na praça central da cidade,diria que estava lá toda a população da cidade.Era um discurso,me avisou Curtis,olhei para o palco e pude ver Perkins ao
microfone,nesse momento ele começava a dizer coisas que não nos agradou muito,mas agradou a população:


             "-Queridos amigos,não precisam mais se preocupar,um detetive vindo diretamente das forças armadas esta na cidade para investigar a situação que nos assusta,o senhor Micahel Baskerville..."nesse momento Widmore
entrou enflamado no palco e puxou-o para longe do microfone.O prefeito não podia desmentir seu acessor,então ele apenas esfriou a multidão que aplaudia como louvor:

             "-A cidade de Bampton nunca teve o que temer e não vai ser agora que terá.As providencias estão sendo tomadas,as familias das vitimas podem contar conosco,a prefeitura está comprometida nisso eu os asseguro.Agora
peço licença aos senhores,pois preciso falar em particular com meu caríssimo amigo Perkins.Tenham todos um bom dia."


              Perkins provavelmente ouviria muito do seu chefe esta manhã,ele acabara de mandar por terra a parte sigilosa da nossa investigação.
              Mais a frente em meio a multidão,o reverendo me apontou um casal tristonho que por ali estava,eram o Sr. e Sra. Thompson.Pedi que o reverendo os chamasse,prendemos nossos cavalos,reúnimo-nos ali na praça
e nos apresentamos.Sra.Thompson pediu para conversar separadamente com o reverendo Curtis,eu e sr.Thompson ficamos em pé um tanto perto deles,não o bastante pra ouvir sobre o que conversavam.Sr.Thompson não parava
de apertar minha mão e exclamar:


                 "-Ah,senhor Baskerville é muito bom saber que temos um profissional por aqui.Minha filhinha...Não consigo nem imaginar o que pode estar acontecendo com ela agora...Não sei do que sou capaz se por as mãos no responsável!"

                 "-Entendo o senhor,mas tente se acalmar,farei tudo o que eu puder para achar as três meninas a salvo.Agora diga-me sr.Thompson,antes de desaparecer,o sr. pode observar algum comportamento diferente da parte de Joana?"

                  "-Hum,uns dois dias antes,realmente ela parecia um tanto calada,descuidada em seus afazeres,mas pensei que ela estivesse com algum mal estar,nada mais do que isso."

                  "Hum,sei...E ela tinha alguma amiga próxima que talvez possa saber os motivos dela andar um tanto preocupada?"

                  "-Não,ela não tinha muitas amigas.Ela é uma menina muito dedicada em suas tarefas e a nossa família,não era como as outras que viviam pela praça nos fins de tarde,trocando olhares com os garotos.Essa cidade não tem
muitos jovens da idade delas e agora as que tem por aí,não saem nem de casa,temerosas,com razão."

                  "-Entendi.As outras que ficavam na praça,Kate Austen e Elizabeth Carter estão entre essas?"

                  "-Elizabeth,essa moça sim,as vezes reparei ela conversando com minha filha,mas não sei dizer se eram amigas.Agora a jovem Kate Austen,estava sempre na praça,mas não sei nada
sobre ela,só o que todos na cidade sabem,ela foi criada sem pai,que era um bêbado, e morreu quando ela tinha seus 7 anos.Algo mais que eu possa ajudá-lo,sr Michael?"

                  "-Não,tudo bem o senhor ja me forneceu relevantes informações.Não vou mais perturbá-lo com isso.Obrigado sr.Thompson."



                  Começavam a surgir lampejos em minha mente,em meio ao caos,teorias começavam a se formar.O reverendo veio até mim,despedimo-nos do casal,sra.Thompson apertou minha mão
com força e me desejou sorte.
                  Chamei o reverendo para nos dirigirmos até a casa dos Carter,saber mais sobre os passos de Elizabeth e quão próxima era sua relação com Kate Austen e Joana Thompson.
                  No caminho o reverendo me contou sobre a conversa reservada que teve com Sra.Thompson:


               "-Sra.Thompson não foi específica,até porque ela não tinha certeza do que falava.Ela me disse que recentemente Joana lhe perguntava sobre coisas do passado,coisas de quando Joana era pequena,
coisas sobre o prefeito,estranhamente ela queria saber como o prefeito foi eleito e conseguiu uma devoção incrível da populção de Bampton.Isso não faz o menor sentido,nada parece ter a ver com o caso."

                "-Porém reverendo,fatos são fatos e são imutáveis,não se pode ajustar fatos para que se encaixem em teorias e sim teorias aos fatos,diga-me,a que se deve grande admirição do povo pelo sr.Widmore?"

                "-Pois bem,existia a cerca de uns 10 anos atrás nessa cidade um único homem que ousava ifringir a lei,o único que ocupou algumas vezes e velha cela de nosso posto policial.O indíviduo era um
encrenqueiro de primeira linha,bebia,brigava com homens de bem.Este homem era o rústico sr.Austen."

                 "-O falecido pai de Kate Austen,o que houve com ele,como morreu?"

                 "-Uma tragédia,mas é como disse Nosso Senhor:"Quem vive pela espada,por ela morrerá."Certa vez Austen estava possesso,descobriu que sua mulher o traía com o delegado de polícia,que na época
não era ninguém menos que o sr.Widmore.Austen os viu aos beijos,enquanto sua pequena filha brincava no quintal de casa.Sem pensar Austen roubou a arma de Widmore que estava sobre a mesa,apontou para
sua esposa e só não disparou,por que nessa hora sua filha entrou na casa,mesmo um homem como Austen não tiraria a vida de uma mãe na frente da própria filha.Então sr.Austen correu gritando para a praça
central,estava louco,como nunca antes.A cidade toda observava da janela de suas casas indignados,vendo que Austen tinha chegado ao limite da insanidade.Os policias Miles e Locke chegaram,Austen baleou
Locke na perna e nesse momento,nosso atual prefeito Widmore chegou,pegou a arma da mão de Miles e disparou,matou sr.Austen com um tiro certeiro no peito.A cidade estava livre de seu único criminoso,sr.Widmore
saiu da policia e se candidatou no ano seguinte.Ninguém na cidade se sensibilizou pela familia do monstro e apenas eu sei que sra.Austen e Widmore tinham um caso e agora o sr.também sabe."

               "-Puxa,esse é um fato importantíssimo,Austen foi morto por Widmore,que virou um herói local,mesmo sendo um adúltero em segredo,ele lhe contou sobre a traíçao numa confissão,reverendo?

               "-Lógicamente que não,se não eu não poderia lhe contar isso,não é mesmo?"

               "-Hehehe,exato.E como foi a vida de sra.Austen e o crescimento de Kate,depois dessa tragédia?"

               "-Bom,para sra.Austen foi um alívio,pois acabava ali,as surras que ela levava de seu marido,porém Widmore não mais se relacionava com ela,isso sim a traumatizou,vivia largada e descuidada na educação de Kate.
Kate,foi crescendo,teve uma infancia dificil,mesmo com tratamentos psicológicos a pequena sofreu a morte do pai,que apenas com ela era carinhoso.Ultimamente ela vivia pela praça,jogando papo para os garotos que por lá
andavam,isso claro,antes dos sequestros.Coitada,como se os sofrimentos de sua infancia,não fossem suficientes agora ela foi raptada,sabe-se lá por quem.Mas eu temo que tenha sido a velha Eloise,precisamos ir na casa
da bruxa também,sr.Michael."

               "-Não se preocupe,reverendo,não deixaremos nenhum fio solto.Resumidamente as únicas pessoas na cidade que sabem sobre a relação de sra.Austen e Widmore,são o próprio casal,Kate e o senhor.Nesse momento,
como é a situação da viúva?"

               "-Ah,ela nunca sai de casa,vive trancada desde e o fato,mas criou a filha sem negligência pelo que parece.Agora ela deve estar pior,coitada..."

               "-Certo,vamos prosseguir está quase na hora do almoço e ainda temos que ir ver os Carter,passar na casa da viúva Austen e ver a tenebrosa Eloise,hahaha..."


              Chegamos a residência em 10 minutos.O tempo nublado completava a sensação sombria daquela cidade,parece que vem chuva,talvez á noite.
              Ao nos ver pela janela ,o irmão de Elizabeth tratou de correr ao portão e abrir a porta.
              O jovem se chamava Jones,me tratou como se eu fosse um excelente detetive,fiquei encabulado de desmentir.
              Entramos e nos juntamos aos pais dele.Gentilmente fomos convidados para almoçar,meu estômago me impediu de recusar.
              Aquela família estava muito triste,Elizabeth era querida por todos,uma excelente menina,porém era muito inocente e me pareceu facilemente influênciável.
              Evitei perguntar muitos detalhes sobre a menina,para não estragar o apitite dos pais deixando-os mais comovidos,mas o jovem Jones falava muito e me fornecia
detalhes interessantes.
              Depois de comer sentamos ao sofá e pude perguntar mais detalhes a Jones.Ele me contou que sua irmã trabalha na prefeitura,ela e sua mãe são responsáveis
pela cozinha do lugar e diga-se de passagem o almoço que nos foi servido demonstrava dotes culinários da perte daquela senhora.Elizabeth não era funcionária da prefeitura
mas estava por lá frequentemente para ajudar sua mãe,isso me chamou a atenção.Perguntei a Jones se ele conhecia algum lugar na região que pudesse ser usado como cativeiro
e ele me respondeu:


               "-Bom,existe um bosque ao sul da cidade,ninguém ousa ir até lá,inclusive há uma caverna por ali."

               "-Me parece um bom cativeiro,isolado e ninguém ousa ir lá,por quê?"

               "-Por causa da bruxa! A velha Eloise ja foi vista lá portando nas mãos a cabeça de um bode.Eu temo que minha irmã esteja nas mãos dessa velha ocultista."


           Esta vizinhança acreditava mesmo nessa história de bruxaria,um tanto alienado esse povo do campo.Não quis mais permancer ali,aquela família estava realmente muito
abalada,então agradecemos pela refeição,e prosseguimos.





FIM DA PARTE-I